5 de março de 2012

Joéis Santanas de classe média

O que era piada de esculacho virou de auto-escracho. E assim, todos riram de Joel Santana por falar um inglês impecavelmente errado, junto a um português limitado, formando a nova versão do Pobrês. Cá entre nós, mais moderninho e globalizado que o tradicional Nóis Vai, Nóis Vem. Tanto que rendeu uma bela grana ao eterno retranqueiro.

Mas será que isso poderia ser chamado mesmo, e só, de Pobrês? Será que esse fuzuê vocabular vem de deficiente escolaridade? Suspeito que não, especialmente quando ouço a classe média em geral falar, cada vez mais, o terrível printar.

Posso imprimir? Yes, pode to print...

25 de fevereiro de 2012

O bebê do comercial

O país inteiro, especialmente as mulheres, tem vivido um festival de óóóóóóóóóóóóóó com um comercial do Itaú. É o lindo bebezinho que ri a baldes ao ver uma folha de papel sendo rasgada. O tema, o mais nobre possível: preservação da natureza, com a economia de comprovantes de caixas eletrônicos.

Diante de tamanha atitude altruísta desse banco, não pude deixar de fazer uma rápida questão de múltipla escolha.

Qual os objetivos da ação de não imprimir nos caixas eletrônicos?

a) economizar
b) economizar sem reduzir tarifas
c) economizar sem reduzir tarifas e aumentar ainda mais os lucros
d) economizar sem reduzir tarifas e aumentar ainda mais os lucros e a fortuna dos sócios
e) construir um mundo melhor para aquela linda criancinha.

12 de fevereiro de 2012

Verduval

Todos sabem que carnaval significa festa da carne. Um termo muito apropriado para todos até algumas décadas. Nessa época, um pai de família poderia sair no sábado à tarde pra tomar uma cervejinha e voltar três dias depois, cheirando a cachaça e Cashmere Bouquet, dizendo: “Ah, amor, é carnaval.” E sem que isso significasse o fim do casamento, porque realmente era carnaval e a tolerância a isso era muito maior.

Mas os tempos mudaram, e hoje isso dá merda. Por isso, por uma questão de coerência, proponho uma terminologia alternativa para essa festa, observando a realidade como ela é.

Para os solteiros, carnaval continua sendo carnaval, por motivos óbvios. Para quem não é, passa a ser Verduval, porque os algemados simplesmente não vivem a festa da carne. E o contrário de carne, o melhor que encontrei foi verdura.

Logo, se você é casado, noivo ou namorado, desejo que passe um bom Verduval. Que seu Verduval seja divertido, de todas as maneiras possíveis. Blocos, trios, bailes, tomar todas, até em locais de serra, no maior sossego. Mas com a consciência de que é Verduval.

É assim que vivemos melhor. Coerentes, sem subterfúgios, sem eufemismos, sem as angústias que a falta de clareza nos traz.

30 de janeiro de 2012

Palavra onde faltam ideias - 8

Consultor – Um encanador. Um médico que esteja dando uma segunda opinião. O Painho, do Chico Anysio. O Gilson Ricardo, quando grita: - Para com iiiiiisso!!!! A rigor, quem não pode ser um consultor? Se não quiser ter um consultor em sua vida, não faça nada. Não saia de casa, não fale com ninguém, só dê bom dia, boa tarde, boa noite. Não peça nem opinião sobre o abacaxi quando estiver no supermercado. Porque todo mundo pode ser um “consultor”... 

Steakholder – Um motoboy, um padeiro, um camelô que vende bijuteria, uma manicure, a cabelereira. Todos esses são steakholders de uma faxineira que more na favela, por prestarem serviços a ela. E, dependendo do ponto de vista do autor de Marketing ou Gestão, até o seu marido cachaceiro é stakeholder. Ou, de um ponto de vista ainda mais amplo, segundo alguns teóricos, podemos incluir também a vizinha que dá pra ele, pois nesse mundo globalizado todos estão interconectados.  Só eu que nunca estive e nem vou estar com a Luana Piovani... 

Facilities – O Pereirão da novela das oito é uma facilitie. O faz-tudo que conserta seu banheiro também. A faxineira que lava, passa e cozinha não poderia ficar de fora. Pois é. Sabe o velho termo Serviços Gerais? Agora inventaram um manager, deram uma envernizada e criaram mais um anglicismo pós-modernoso. 

Medicina Diagnóstica – Quando eu era pequeno lá em Barbacena, ops, Niterói, uma a duas vezes ao ano eu pegava dois potinhos e enchia um de cocô e outro de xixi. Depois, extremamente constrangido, deixava os porta-joias num laboratório. E um dia esse laboratório virou Medicina Diagnóstica. Mais um nome para se dizer que estão analisando seu cocô. Fred, O Coutinho, muito obrigado. Essa foi ótima.

24 de janeiro de 2012

Inteligentzia Brasilis

Nas nomeações recentes da Dilma, um dos maiores equívocos da imprensa é o uso da expressão "despolitização" dos cargos. E pior, apresentar isso como se fosse bom. É a constante confusão entre despolitizar e despartidalizar.

Despolitizado é um carrasco medieval, e lobotomizado pra garantir que realmente seja. Ele não tem a menor noção do que se passa, apenas executando como um robô, indistintamente. Um passo adiante da já conhecida ignorância da época.

Despartidarizado é o servidor público que enxerga a máquina estatal a serviço da coletividade, sem apadrinhamento de partido ou benefício a grupo algum. Ou, mais precisamente, que olhe com atenção especial a um grupo desfavorecido, buscando o equilíbrio da sociedade. E, acima de tudo, isso é ter ideologia. Porque não se vive sem ela. Ideologia faz parte de tudo, sendo um dos principais guias de tudo que fazemos.

Do jeito que o mundo anda - especialmente a gloriosa inteligentzia midiática tupiniquim, vamos ter de fazer algumas alterações no universo literário. Como mudar o título do clássico poema "O Analfabeto Político", de Brech, para "O Retardado Político"..

17 de janeiro de 2012

Por trás de tudo...

Antes da eleição presidencial de 89, a Globo fez uma pergunta à nação, sob forma de novela: Que Rei Sou Eu?

A resposta era o personagem principal, um protótipo subliminarmente bem sugestivo do Collor. Novo, bonitão, impetuoso a ponto de ser quixotesco, um herói que lutava contra as velhas forças da Avillan-Brasil , especialmente a corrupção. Deu no que deu.

Hoje, na mesma Globo, estreia uma minissérie sobre um presidente que subiu ao poder meio que por acaso, sem ter feito nenhuma aliança. Também faz o tipo bonitão, sendo experiente e jovial ao mesmo tempo. É de família tradicional, mas tem idéias avançadas. É honesto e corajoso, mas perde a linha bonito com a mulherada.

Diante disso, só ficou uma dúvida em mim: dessa vez, quem eles tão querendo vender? Aécio Never ou Severino Cavalcanti? 

Detalhe da foto: em 2014, a festa pode ser completa. Copa do Mundo, eleição presidencial e um candidato que, acima de tudo, idolatra o Brasil...

15 de janeiro de 2012

tipo1 (ti.po) sm.
1. Tudo o que tem traços distintivos para identificar um grupo de coisas, seres ou pessoas; espécie; modelo: carro do tipo conversível: pessoas com traços do tipo asiático
2. Liter. Teat. Cin. Telv. Personagem representativo e bem trabalhado: Maria Eduarda é um dos tipos de mulher mais encantadores de Eça, e da literatura universal
3. P.ext. Qualquer personagem: "Tipos bestas. Ficam dias inteiros fuxicando nos cafés..." (Graciliano Ramos, Angústia.))
4. Liter. Teat. Figura, personagem original que pode considerar-se como paradigmático: O Dom Quixote é um tipo modelar da literatura: o Tartufo é um dos tipos mais completos da teatrologia
5. Restr. Pessoa excêntrica, esquisita: "Que tipo! - exclamou Dâmaso, vendo-o afastar-se. E a cousa ia-se pondo feia..." (Eça de Queirós, Os Maias))
6. Pej. Pessoa que não se conhece; SUJEITO; CARA: Apareceu aí um tipoprocurando você
7. Econ. Percentagem do montante de um empréstimo realmente transferida a seu tomador
8. Biol. Espécime indicado, por pesquisador, como capaz de representar espécie nova
9. Tip. Bloco de madeira ou metal fundido com sinal de escrita em alto relevo, que se pode imprimir; caractere
10. Art.gr. Qualquer sinal gráfico impresso
11. Cada um dos caracteres de uma mesma família tipográfica; FONTE
12. Ling. Cada uma das categorias utilizadas na classificação das línguas pelo método tipológico
13. Psi. Conjunto de traços somáticos e/ou psicológicos que apresentam certa coerência entre si
14. Teat. Telv. Cin. Características de uma personagem
15. Rel. Personagem ou fato do Velho Testamento que simboliza algum fato ou personagem do Novo Testamento: O dilúvio é um tipo do apocalipse: Moisés, dando-se pelo seu povo, é um tipo de Cristo
[F.: Do lat. typus, i. Ideia de ' tipo': tip(i/o) - (tipologia).] 

Copiei esse verbete do Caldas Aulete, um dos melhores dicionários da Língua Portuguesa. Como você pode conferir - e para nenhum espanto meu - não há "tipo" com o significado de "como". Provável contração do terrível “tipo assim”, "tipo" é completamente vazio e infelizmente tornou-se mais uma das pragas que invadiu o linguajar cotidiano. Já usado até em programas ditos jornalísticos.

Sirva-se à vontade.   

11 de janeiro de 2012

Darwinismo às avessas

Pessoas, separadas em casais, competem em uma prova de resistência, em que todos devem dançar até não aguentar mais. Até chegar ao par vencedor, os restantes cairão vencidos pelo cansaço extremo, após muitas horas de luta, agonia e superação.

Pensou no Big Brother? Ou em algum reality show ou quadro de humor que poderia estar em emissoras como Multishow, Bandeirantes, SBT, Record ou RedeTV? Acertou em parte.

Esse trololó é o enredo de "A noite dos desesperados", filme americano do final dos anos 60, passado no auge da Grande Depressão Americana. Na fita, indivíduos sem saída em suas vidas perdiam totalmente a noção de dignidade, chegando ao ponto de participar desse concurso para poder sobreviver. Uma aberração da sociedade, retratada em sua devida proporção, que resultou em uma grande crítica ao capitalismo e à cultura de massas.

E que hoje, no mundo do bem-estar, da sustentabilidade e da prestigiada Classe C, virou um corriqueiro e bem aceito quadro de programa de televisão...

27 de dezembro de 2011

Ninguém faz melhor - 3

Ninguém faz Adam Sandler melhor que Adam Sandler.

Ninguém faz Ben Stiller melhor que Ben Stiller.

Ninguém faz Michael Keaton melhor que Michael Keaton.

Ninguém faz Vince Vaughan melhor que Vince Vaughan.

Ninguém faz Jack Black melhor que Jack Black.

26 de dezembro de 2011

Brasil em festa

Rejubilem-se! Regogizem-se! Orgasmem-se! O país está em festa!!!

Mas só pra lembrar: depois de divulgado que o Caramuru Atômico ultrapassou a Grã-Bretanha em PIB, só falta ultrapassar nos seguintes itens:

- Distribuição de riqueza
- Reforma agrária 
- Sistema de habitação 
- Planejamento das áreas urbanas 
- Combate e punição à corrupção
- Sistema de transporte coletivo
- Planejamento da economia
- Sistema de educação
- Sistema de saúde
- Sistema de transporte de cargas
- Controle de monopólios e oligopólios
- Sistema de impostos
- Fiscalização de concessionárias
- Amplitude, agilidade e qualidade do Judiciário
- Combate à corrupção no Judiciário
- Sistema eleitoral
- Saneamento
- Combate ao desmatamento
- Qualificação das polícias
- Mentalidade da elite e classe média
- Serviços de telefonia e internet
- Competitividade de preços
- Investimento em pesquisa e tecnologia
- Entre outros 

Enquanto isso, meu povo, a gente encomenda um bolo e vai comemorando...

23 de dezembro de 2011

Visual de Natal

Bem mais novo, assisti a uma chatíssima palestra sobre o porquê de Jesus ter olhos claros e cabelos sedosos nas imagens. O argumento central, para representar a beleza do que ele fez. Nada mais politicamente incorreto nos dias atuais.

Porém, há algum tempo, um estudo apresentou uma ilustração do que seria o Jesus real: um sujeito moreno com cabelos crespos, barba, feinho de dar dó. Praticamente um figurante de filme de Indiana Jones. Nada mais politicamente correto nos dias atuais.

Se Jesus era tão irresistível quanto o Zé Bonitinho, isso não faz diferença. Porque a sua mensagem não tem rosto. Não é representada por Papai Noel, não tem embalagem de presente, cor ou visual. Não é fashion nem funk e muito menos os dois, porque acabaria sendo Regina Cazé. A mensagem de Jesus aparece sob outras formas. Inclusive no abraço, no carinho, no afago verdadeiro que você der na noite de 24 de dezembro.

A você, um feliz Natal.

6 de dezembro de 2011

Palavras onde faltam ideias - 7

Música competente - eufemismo usado em textos de críticos de música que não têm argumentos consistentes para poder elogiar. Por isso, há tantos músicos de pop, rap, nova MPB e eletrotechnorockalgumamerda chamados de competentes. Ou alguém teria coragem de chamar Tom Jobim e Chico Buarque de competentes? 

Foco no cliente - uma das maiores cretinices da verborragia pós-moderna, pois a pior das biroscas não sobrevive sem cliente, mesmo que seja um mendigo que gaste uma nota de três reais por semana. O que há é uma consciência maior ou menor de que é preciso agradar. Talvez, na Zona Sul do Rio, essa expressão sobreviva com tanta força graças ao Bar Lagoa, que tem fama de atender mal os clientes. E, pasmem, tem otário que continua indo. 

Trabalhar por resultados - tirando a maioria das repartições públicas ou empresas que existem para lavar dinheiro, qual é a atividade que não busca resultados? Ela pode alcançá-los com maior, menor ou nenhum sucesso. Ou seja, é mais um eufemismo para alguém dizer que está fazendo alguma coisa de útil no trabalho. Ou enrolar brilhantemente... 

Comunidade - vou fazer uma previsível referência pseudointelectualóide: favela, favela, favela, favela, favela, 5x favela. Essa pataquada surgiu com Leci Brandão nas transmissões de carnaval. Aí, a elite brasileira, filha dileta do Sinhô Leôncio, adorou. Afinal, o que pode ser mais conveniente do que o pobrinho continuar a ser pobrinho e ainda ter um nome bonitinho? 

Brunch - no Brasil, virou um lanche metido a besta. Pode ser chique ou pseudochique. Ou seja, ter sanduíche a metro ou não. 

2 de dezembro de 2011

É hoje o dia

Hoje é dia de um monte de gente dizer que é sambista. E pior, de raiz. Como se existisse rock de raiz, mambo de raiz, valsa de raiz e por aí vai.

Hoje é dia de todo mundo se gabar de fazer uma coisa trivial, particular, que qualquer um pode fazer: ouvir música.

Hoje é dia de você não poder criticar qualquer samba ou sambista, porque senão você se passa por herege.

Hoje é dia de você não dizer que o samba é como os outros tipos de música: tem mais compositor ruim do que bom. Muito mais.

Hoje é dia dos alternativos que não largam o osso reforçarem suas atitudes via música.

Hoje é dia da tia Nonoca ser chamada de gênio da humanidade porque frita pastel numa reunião de escola de samba.

Hoje é dia do Seu Dotô querer que todos o reverenciem, por fazer duas ou três músicas ou absolutamente nada.

Hoje é dia de falar bem de lugares insalubres, desasistidos pelo Estado, que nem cachorro deveria morar: as favelas.

Hoje é dia de um monte de pélassaco que não fala mais favela, mas comunidade.

Hoje é dia de lembrar que Dona Zica, mulher do Cartola, tinha o maior prestígio na mídia porque... porque... porque era mulher do Cartola.

Hoje é o Dia do Samba.

Paulo Silvino de Rua

Basta ver os segundos cadernos ou as revistas dirigidas à classe mérdia para constatarmos que o mundo está cada vez mais fresco e babaquara. A partir das égides "Qualidade de Vida" e "Eu tenho minha individualidade", todos se comportam como madames afetadas, tornando-se egoístas e chiliquentos, e alguns até dependendo de consultores de bem-estar, rata-power-super-yogas ou qualquer coisa nesse naipe. Pelo menos, nas décadas anteriores, diante das dificuldades inerentes da vida essas criaturas apenas desmaiavam pedindo os seus sais. Ou tomavam um corredor polonês de seus amigos.

Pois para combater isso, fica uma sugestão: a implantação de Paulos Silvinos de Rua. Esse instrumento corretivo de comportamento seria uma medida altamente educativa, que traria novos parâmetros à nossa sociedade. Ou melhor, a sacolejaria de tal forma que abriria uma nova perspectiva de vida, colocando-a finalmente nos eixos.

Explico como funcionaria. Em diversos pontos das cidades, seriam instalados bonecos do Paulo Silvino em tamanho natural. Neles, haveriam chips detectores de frescura ou mimadice. Ao serem acionados, surgiria uma gravação com alguns de seus bordões mais famosos. Quer um exemplo? Uma mulher com filho, que ao contrário de 99,99% do país tem dinheiro, casa boa, babá e empregada, está ao lado do nosso valoroso boneco. De repente, ela comenta com uma amiga que não aguenta mais essa mega-super-pesada-atarefada vida de mãe. Mesmo com dinheiro, casa boa, babá e empregada. Nesse exato momento, o Paulo Silvino de Rua, com a mesma expressão da tevê, dispararia: "Gueeeeeenta..."

Ou imagine um empresário bem-sucedido, com bastante bufunfa no banco e uma mulher muito gostosa em casa. Na rua, ele reclama com um amigo que, por conta do trabalho, nem tem mais tempo de treinar com seu personal. Que leva uma vida terrível e, pior, está vendo nascer uma barriguinha. Imediatamente o nosso glorioso boneco dispararia: "Isso é uma tremenda bichooooooooooona..."

É isso. Fica a ideia para apreciação. Porque é para essas coisas que existe a internéti: ser um infindável e consistente espaço para novos pensamentos, que efetivamente propiciem o melhor desenvolvimento do ser humano...      

15 de novembro de 2011

Os jornais

A Itália tem uma população altamente escolarizada - fundamental para a solidez de um país na sociedade do conhecimento - e já fez sua reforma agrária há muito tempo. Tem ótimos índices sócio-econômicos, mesmo levando-se em conta a diferença entre Norte e Sul. Também tem um dos turismos mais desenvolvidos do mundo e uma indústria desconcentrada, que não depende de 10 ou 15 empresas, exclusivamente, para puxar o bonde.

O Brasil tem uma pachorrada de analfabetos formais e de profissionais desqualificados. Seu campo nunca saiu da estrutura feudal. Os índices de desenvolvimento humano são patéticos, atrás de países como Jamaica, Bahamas e o arrasado Líbano. O turismo aqui faz consquinha e a indústria, atrasada toda vida, se concentra quase toda numa região.

Como dizem os nossos gloriosos jornais, realmente a Itália tá na merda. E o Brasil vai muito bem, obrigado.

6 de novembro de 2011

Cigarro é bobo, feio e chato

A Globo começou uma campanha antitabaco com uma intensidade nunca vista. Tem estratégia coletiva, data marcada para começo e o escambau. No entanto, por que isso não acontece com o álcool, que também traz prejuízos absurdos à sociedade?

A minha teoria é simples quem nem pão com ovo. Todos sabem que as emissoras de TV têm um faturamento fortíssimo com cervejarias, além de outros fabricantes de bebidas alcoólicas. Mas ao mesmo tempo, isso não acontece mais com a indústria tabagista, porque a propaganda de cigarro foi proibida há vários anos. Quem tem pra lá de trinta lembra das campanhas do Hollywood, Free, Chanceler, entre outros. Era uma arrecadação interminável que escafedeu-se, sem a menor chance de voltar. Por isso, não há nada que ligue a Globo a essas empresas. E o cigarro... bem, o cigarro assim pôde ser eleito vilão sem o menor problema.

Viu como o mundo é lindo?

26 de outubro de 2011

Muletas de Linguagem

Infelizmente, o que é ruim pode piorar.

"Vamos Combinar" e "Pronto, Falei" são a versão classe mérdia do "Fala Sério" e "Com Certeza".

13 de outubro de 2011

O sonho de __ era ser __ - 39 - especial o Babaca do Século

O sonho do Rafinha Bastos era ser o Sacha Cohen.

3 de outubro de 2011

Trololóóóóó

Sister of Down, Pitty, Shakira, Marcelo D2, Rhianna, Katy Perry, Ke$ha, Evanescence, Jota Quest, entre outros.

Diante desse naipe de artistas, fica aqui uma sugestão condizente para o próximo Rock In Rio...

27 de setembro de 2011

Ninguém faz melhor - 2

Ninguém faz Humberto Martins melhor que Humberto Martins.

Ninguém faz Regina Duarte melhor que Regina Duarte.

Ninguém faz Marcos Pasquim melhor que Marcos Pasquim.

Ninguém faz Maurício Mattar melhor que Maurício Mattar.

Ninguém faz José Wilker melhor que José Wilker.

26 de setembro de 2011

Cinema brasileiro

Imagine que você é o cinema argentino. Agora, pegue um papel e escreva "cinema brasileiro". Depois, dobre-o até não poder mais e coloque essa mísera dobradura no bolso. E pra ficar perfeito, experimente fazer após assistir "Um Conto Chinês".

Você vai ver. Vai fazer todo sentido...

25 de setembro de 2011

Ninguém faz melhor - 1

Pode ser elogio ou crítica, depende do artista ou de quem lê. E, de novo, não fui eu quem criou. Surgiu no trabalho, da metralhadora giratória - ou seria borratória? - do Rodrigão. Bem depois, vi a oportunidade de render algo aqui. Vamos ver se vai...

Ninguém faz Marcos Palmeira melhor que Marcos Palmeira.

Ninguém faz Evandro Mesquita melhor que Evandro Mesquita.

Ninguém faz Nuno Leal Maia melhor que Nuno Leal Maia.

Ninguém faz Suzana Vieira melhor que Suzana Vieira.

Ninguém faz Lázaro Ramos melhor que Lázaro Ramos.

22 de setembro de 2011

Farias, não. Lindbleargh fez

 
O julgamento de Lindblergh no STF sobre crime de responsabilidade, qualquer resultado que seja, me lembrou muito o movimento que o catapultou, como líder estudantil.

Só que em vez de Caras Pintadas, hoje teria de ser Caras Lavadas...

21 de setembro de 2011

Preto Gil

Não sabe cantar, mas canta.

Não sabe compor, mas compõe.

Não sabe atuar, mas atua. 

E com tudo não isso, ganha rios de dinheiro pelo mundo afora.

Resumindo, Seu Jorge é o Preto Gil.

31 de agosto de 2011

Bem, Comadres

O Bem, Amigos é o Mais Você do jornalismo esportivo brasileiro.

19 de agosto de 2011

Incertezas da vida

Em meio a esse caos - ordenado ou não - que é o universo, o meu eterno porto seguro era saber da invulnerabilidade de Bud Spencer.

Mas olha como a vida prega peças. Estava eu vasculhando a internéti, quando me deparei com essa cena. Como Hulk é Hulk, já não tenho certeza de mais nada...

10 de agosto de 2011

Caiu de verde

Há duas semanas, o Globo Repórter - que com o tempo virou Discovery Channel de pobre - fez um programa sobre as violações à legislação ambiental. E, com o propósito de oferecer informação a todos, disponibilizou na internet. Como, aliás, faz sempre.

Pois agora o Globo Repórter tem uma chance de deixar a sua reportagem ainda melhor, mais completa. Com a condenação de Luciano Huck por duas irregulares cometidas em áreas protegidas, ambas em Angra, eles bem que poderiam fazer uma materiazinha e colocar lá...

Palavras onde faltam ideias - 6

Personal trainer - Nessa estranha língua da classe mérdia brasileira, o portunglês, é apenas o tradicional professor de educação física, só que particular, e nada mais. Sorry, Lebrão. 

Hair stylist - Lembra do cabelereiro de jaleco, aquele senhor que sempre tinha a Playboy e a Placar do mês na barbearia, além dos comentários sobre futebol e o político ladrão em evidência? Pois esse cara, nesse mundo pós-modernoso, a rigor seria um Hair Stylist. Só que em vez de cortar o cabelo da Constanza Pascolato, ele cortava o meu... 

Look - Mais um anglicismo digno de Odorico Paragassu na ONU, apenas para não ter de dizer "aparência" ou "visual". 

Pró-ativo - Existe alguém contra-ativo? Claro que não, porque essa expressão é aplicada na Farmácia, na Química Industrial ou em aparelhos eletromecânicos. Antes do blábláquismo corporativo, usava-se "diligente". Mas sabe como é: "diligente" não está nos livros de Marketing, Auto-Ajuda ou Gestão... 

Retrô - É a forma afrescalhada de se dizer "antigo". 

Vintage - É a forma ainda mais afrescalhada de se dizer "antigo".

26 de julho de 2011

Momento borracharia

Não é novidade que vivemos num mundo cada vez mais afrescalhado, cheio de merdinhas e rapapés. Vide os universos fashion, gourmet e das celebridades para confirmar. Por isso, é preciso combater as babaquices pós-modernosas. E uma delas, com absoluta certeza, é o famoso "nu de bom gosto". Ou "artístico".

No caso, a tal da Mulher Melão acabou de assinar com a Playboy. A portentosa musa dos taxistas vai sair numa dessas edições especiais, que oferecem mulheres de apelo mais popular. Mas como há o carimbo da revista, a ousadia das fotos- por maior que seja - terá limites. Não tenha dúvida disso.

Porém, nem tudo está perdido. A mulher fruta em questão já andou por publicações menos sofisticadas, quando nem era tão conhecida assim. E brindou a todos que realmente gostam de mulher com um convincente ensaio, cuja capa reproduzo aqui. Inclusive traz junto, bem juntinho, uma loira de fechar o comércio. Não da Garcia D´Ávila, é claro, mas da Buenos Aires ou da Rosário.

Pode baixar. Está em vários sites e blogs, facilzinho de achar. Parafraseando o antigo locutor de futebol, não é Playboy. Mas é disso que o povo gosta...

25 de julho de 2011

Bolhinhas

Os Jogos Mundiais Militares acabaram e, de novo, Jadel Gregório peidou. Só que agora, como foi pela Marinha, com muito mais estilo...

Celular, esse é o Brasil

A matéria que saiu hoje no O Globo, na página 17, deveria ser lida em todos os lugares do Brasil. Das escolas às igrejas, das empresas às repartições públicas e, principalmente, dentro das famílias, como um aviso dos pais aos filhos.

Nesse texto, são colocados os tipos de usuários de celular: ciborgues, centauros e caubóis do espaço. Não vou ficar explicando aqui, porque o texto está lá pra isso. Mas de cara, fica evidente o atraso que o Brasil vive, sob todos os aspectos.

O usuário brasileiro é, evidentemente, o que usa a geringonça para se reafirmar perante a sociedade, exibindo-o como um brasão medieval. Ou, pós-modernamente falando, como um distintivo digital. O que é, aqui entre nós, tudo a mesma merda.

Essa pesquisa mostra ainda que o europeu, de modo geral, usa o celular para falar o necessário, preservando os contatos sociais para a conversa ao vivo. Daí conclui-se que, em função de um problema de baixa estima, os brasileiros estão deixando de lado o calor humano, justamente uma das nossas maiores características.

Como diz a canção de Juca Chaves, esse é o Brasil. Um caso mal resolvido que deixa qualquer discípulo de Freud doido. E os donos das operadoras cada vez mais felizes...

24 de julho de 2011

O 11 de setembro da América Latina

Uma das maiores tragédias da América Latina reapareceu no noticiário esses dias. E, como sempre, da pior forma.

A morte de Salvador Allende foi confirmada como suicídio, ficando para todos como o último fato que faltava ser esclarecido sobre o golpe de Pinochet e CIA, com direito a trocadilho. Só que a instauração de uma ditadura sempre deixa um péssimo legado, que dura muito mais que o próprio período de exceção.

As ditaduras - sejam de direita ou esquerda - tiram da população a ideia de que o Estado só existe em função dela. De que transparência é o mínimo do mínimo. De que todos deveriam ser co-admnistradores dos municípios, estados e governo federal. De que direitos civis realmente existem. Enfim, das ditaduras não se tira nada de bom, porque elas apagam das pessoas a real noção do que é democracia. E, pior, isso não desaparece de uma década pra outra. Tanto que o Brasil, até hoje, não se deu conta disso.

Por isso, 11 de setembro - dia do golpe militar no Chile - deveria ser lembrado como uma grande tragédia também por esse motivo. Um dia terrível para esse país e toda América Latina, assim como foi 31 de março de 1964, aqui no Brasil.   

15 de julho de 2011

Jadel Gregório

Assim como Pelé, Jadel Gregório fala de si na terceira pessoa. Ao contrário de Pelé, sempre gasta onda antecipadamente e, na hora agá, peida. 

Pois Jadel Gregório - o atual melhor atleta de salto triplo do Brasil - tem agora uma chance única de parar de peidar. O seu Luftal em questão são os Jogos Mundiais Militares, em que vai competir, e tem um nível assustadoramente mais baixo que os Jogos Olímpicos. Por mais que a imprensa, picaretamente, diga o contrário.

Vamos ver o que acontece com o maior gastador de onda do esporte brasileiro, obviamente fora do futebol. Ou ele ganha de lavada - e não passa de obrigação - ou passa a praticar saltos em outro lugar...

14 de julho de 2011

OS BABACAAAAAAA!!!!!!

Vendo esses jogadores da seleção - Júlio César, Robinho, Neymar etc, me lembrei do Didi Mocó.

E não tanto pelas trapalhadas vistas, já previsíveis, mas por uma livre adaptação que me ocorreu de seu bordão "Os pirataaaaa..."

8 de julho de 2011

Rafinha Bosta

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço."

Por essa declaração - que algum rola bosta, um que seja, deve achar que é piada -, Rafinha Bosta está na mira do MP de São Paulo, por apologia ao crime.

O que se pode esperar de um sujeito que se acha o máximo por ser o terceiro mais engraçado da bancada de três apresentadores do CQC?

29 de junho de 2011

O Todo Poderoso

Saiu em alguns veículos que o futuro programa de Danilo Gentilli, o que se acha poderoso e engraçado ao mesmo tempo, não consegue arranjar patrocinadores. 

O que vai espantar mesmo é se conseguir telespectadores...

20 de junho de 2011

Palavras onde faltam ideias - 5

Depois de um bom tempo, voltou. Aliás, nem sei por que parou, pois o que não falta é eufemismo e em todas as áreas. E cada vez mais cretinos... 

Classe C – O novo eufemismo de pobre. E assim, uma boa parte dos brasileiros continua levando no C, com mais este embuste criado pelos arautos da modernidade.  Aliás, para comprovar o que afirmo, basta ver as reportagens na TV de auto-ajuda em que se mostra como dádiva pessoas sendo empregadas ganhando 800 reais.

Classe D – pobre pra caralho. Só posso diminuir a intensidade do escrito se o parâmetro for baseado nos refugiados do Sudão ou os esfomeados da Etiópia. Porque o mínimo que um ser humano merece é conforto, educação e saúde de alto nível, cidades planejadas e a possibilidade de se preparar profissionalmente, comprando o que precisa através de empregos bem remunerados. É claro, sem cair nos descalabros da pós modernidade, em que viver bem se resume a comprar quilos de sapatos, bolsas e carros de luxo. E morar rodeado de globais, consultores de moda e personals qualquer coisa. 

Classe E – refugiados do Sudão ou esfomeados da Etiópia. 

País em desenvolvimento –  eufemismo de país subdesenvolvido, e o resto é basófia. Não sei se a molecada aprende hoje, mas os bons livros e professores de geografia só consideravam desenvolvido o país que tinha prosperidade econômica e social na mesma proporção. E mesmo assim, quando sua economia não se baseava em exportação de matérias-primas. Que, relembrando um eufemismo já citado aqui, passaram a ser cretinamente chamados de commodities...

8 de junho de 2011

Sorte na vida

Sinceramente, não sei porque há tantas pessoas em casas lotéricas. Digo isso porque, atualmente, o melhor local para alcançar uma vida realmente mansa são os programas sobre futebol na tevê, na função de comentarista.

Tirando uma meia dúzia de um ou dois, qual deles não faz o papel de narrador de replay? É uma rotina que consiste em assistir a um jogo e outro, falar qualquer merda sem base nenhuma – e com ares de membro da ABL -, ainda por cima ganhando bem. Com tudo isso, os debates viraram um eterno encontro de prováveis perebas do tempo da escola, que se vingam do mundo em disgressões sobre a diferença entre porém, entretanto, todavia e contudo.

Aí, antes de terminar esse texto, parei e pensei: na prática, o que essa postagem pode ter de diferente das outras? É que, nesse caso, não se trata de uma crítica, e sim de uma sincera declaração de inveja. Porque viver numa eterna bocada como essa é um grande privilégio. É como se cada um deles fosse o sortudo ganhador de loteria, que vence com base no acaso. Menos, é claro, o da Esportiva, que pra acertar tem que entender pelo menos um pouquinho de futebol...

7 de junho de 2011

Incoerências da vida

Pergunta que não quer calar nem com bazuca na cara: por que alguém compraria a Playboy da Maria, se pode ver o que realmente o povo gosta na internet? 

Detalhe da foto: ao contrário do que todo mundo diz, esses afamados vídeos são a prova de que ela nunca liberou o botão...

5 de junho de 2011

Picaretagem

Educadores, sociólogos, historiadores, geógrafos, bem informados e iletrados em geral sabem que Educação é a principal arma que nós temos para melhorar a vida dos brasileiros. 

Já Luciano Huck, basta ver no Caldeirão...

24 de maio de 2011

Olha que genial: para vender a ideia de que defende o sistema digestivo, a Actimel resolveu colocar Júlio César como garoto propaganda. Justamente o único goleiro da seleção brasileira, em todas as Copas, responsável direto por uma eliminação.

Se é pra botar quem faz cagada na hora errada, acho que deveriam escolher logo o Lagreca, do quadro Merda Acontece, do falecido Hermes e Renato...

Pra quem não sabe, deixo de lambuja de onde veio essa figura: http://www.youtube.com/watch?v=7HMZUMaytUc  

19 de maio de 2011

Viradão Carioca

Preta Gil, Luan Santana, Latino e Fernanda Abreu, entre outros. E todos apresentados por Eri Johnson, Otaviano Costa e Bruno Mazzeo, entre outros.

Como podemos ver, no Viradão Carioca 2011 pior que tá não fica...

8 de maio de 2011

Vale Tudo

Todos que viram algum capítulo da reprise de Vale Tudo falaram sobre o desempenho de Beatriz Segall, as cachaçadas de Heleninha Roitman, a atualidade dos diálogos, enfim, essas coisas todas. Mas há algo que reparei logo de cara, e que realmente me intrigou por não ter sido comentado.

Talvez por estar em início de carreira, Marcos Palmeira ainda não conseguia interpretar magistralmente - como nunca ninguém fez até hoje - o papel de Marcos Palmeira...

Detalhe da foto: num de seus grandes momentos, Marcos Palmeira mostra toda sua expressividade na montagem de Hamlet. E com a privilegiada companhia de Lawrence Olivier...

27 de abril de 2011

Comida Di Buteco ou Eu sou burguês mas eu sou botequista

Algum dos concorrentes desse fudevú de caçarolê tem TV passando show de forró 24h por dia ou pôster de gostosa de cervejaria?

Algum abre às sete da manhã, já com os fregueses tomando seu melzinho da saúde?

Algum serve qualquer prato que não custe o mesmo de um restaurante, e dos caros?

Então todos podem participar do Comida Di Buteco. Mas o de botequim, nenhum...

26 de abril de 2011

A cova de Lázaro

Quem me conhece sabe o quanto exalto Mestre Bud Spencer. Quem o acompanhou, um mínimo que seja, sabe que seu comportamento não deu espaço para frescuras ou boiolagens pós-modernas, incluindo as gaveanas, as intelectofashions ou pseudolapenses. No mínimo, sobraria um belo de um telefone na orelha desse povo.

No entanto, passei a temer pela integridade de seu extenso e coerente currículo, mesmo em sua merecida aposentadoria, com mais de 80 anos.

Vai que Bud participa da atual novela das oito, e mesmo ele não resista à interminável beleza e irresistível charme de Lázaro Ramos...

25 de abril de 2011

Escolhido de Deus

Imagine se, em pleno século 21, um maluco chegasse pra você dizendo que é escolhido de Deus, acima de todos, para reinar enquanto viver. Tipo o cidadão daí de cima.

Qualquer um botaria pra correr a pontapés. Os mais caridosos chamariam uma ambulância do Pinel. Mas, pasme, muita gente acha natural e até linda essa folga toda. Na verdade, esse sujeito é um rei, de qualquer nação que seja. Isso acontece porque, pelo fundamento da monarquia, o rei e seus descendentes foram escolhidos por Deus para tal função. E, fato histórico comprovado, em qualquer lugar que seja a monarquia surgiu em circunstâncias que envolveram arranjos entre poderosos da época.

Enquanto isso, esses casamentos reais acontecem e bilhões de bobos prestigiam, achando a maior graça. E os nobres co-filhos de Deus riem mais ainda...

19 de abril de 2011

Adriano

Agora ninguém vai poder dizer que o calcanhar de Aquiles de Adriano é a bebida.

É treinar...

18 de abril de 2011

Os Vingadores pós modernos

Qual é a chance de o CQC - que posam de vingadores da pós-modernidade - fazer uma matéria que investigue irregularidades ou abusos de seus patrocinadores, e assim perder a bolada? 

A mesma de o Galvão Bueno apresentar denúncias de corrupção da CBF no Bem, Amigos.

Aécio Never vai colocar a boca num bafômetro

Charuto cubano, uísque escocês e vagina com menos de trinta. Tirando isso, onde mais Aécio Never colocaria a boca? 

16 de abril de 2011

Brasileiros e brasileiras

Nasce um otário por minuto. Ouvi esse ditado americano em alguns filmes antigos, quando garoto. Levando-se em conta que mais pessoas nascem hoje do que há 50 anos, imagino que esse ditado deveria ser adaptado para 30 segundos. Ou seja, nasce um otário por meio minuto.

Pois bem. Tomando isso como princípio, quantos segundos levam para nascer um otário no Brasil? Cinco? Três? Um? Pelo comportamento que o brasileiro tem em relação aos preços, deve ser por aí, sem nenhuma autodepreciação. Isto, baseando-se em matérias que vêm pipocando sobre os preços aqui, em relação a países desenvolvidos. Para surpresa geral, todos vêm descobrindo que tudo aqui é muito mais caro, mesmo que os salários sejam bem menores. E ainda que diminuíssem os malfadados impostos, até bala Juquinha continuaria custando os olhos do cu. Porque os da cara estão na Europa.

E isso acontece, sem dúvidas, porque esse é o país dos otários. As pessoas sabem que as coisas são abusivamente caras e compram mesmo assim, como se fosse normal ser roubado. Seja pela ânsia de ser chique, por se sentir especial ou incluído na sociedade, por não se juntarem para protestar, por vários motivos – todos patéticos.

Outro dia ouvi um economista dizer que os preços são uma escolha do consumidor. Se está caro, negocie. Se não há negociação, não compre. Ou faça como os trabalhadores semiescravizados do interior: comprem dez vezes mais caro na venda da fazenda. Só que eles sofrem ameaças de tomar bala de um jagunço se fizerem isso em outro lugar. Com o restante do país, não. Ocorre unicamente porque deixamos e queremos ser assim. Os eternos otários.

10 de abril de 2011

O fim do carnaval

Há pouco tempo, tivemos mais um carnaval. Mas eu afirmo, categoricamente, que não houve porra nenhuma, porque o carnaval acabou.

Essa afirmação pode parecer um purismo de velha guarda radical, para exaltar os tempos dos ranchos na Avenida Rio Branco. Mas não é.

Também pode parecer uma reclamação da péssima qualidade dos sambas enredos dos últimos 30 anos, que estão mais para marcha militar, tamanha aceleração e pobreza de melodias e versos. Mas não é.

O carnaval acabou porque me refiro especificamente aos compromissados, sejam casados, noivos ou namorados firmes. Para este tipo de ser humano, a festa pagã se torna um feriadão que apresenta blocos e bailes em muitas cidades por aí, e nada mais. Ou sossego matrimonial e quilos de comida em locais como Cambuquira, Bariloche, São Tomé das Letras ou Trindade. Porque o que caracteriza o carnaval é ser a festa da carne. O resto vem no pacote, apenas acompanhando.

Em termos práticos, carnaval traz um quê de promiscuidade inevitável. De fato, é a única ocasião em que um solteiro pode abordar uma mulher - e pegá-la - na mesma rua em que costuma passar pra comprar pão. Isso, às três da tarde, pra aumentar a intensidade do extraordinário dessa festa. Se ele fizer isso um dia depois, por exemplo, só terá sucesso se for de Brad Pitt pra cima, e olhe lá. O que, convenhamos, 99,99999% da população masculina não é. Olhando assim, é praticamente um conflito espaço/tempo que existe entre um compromissado e um solteiro. Num bloco, os dois podem estar lado a lado, mas não estão vivendo o mesmo evento. Parece até episódio de Além da Imaginação.

Por isso, se você não é solteiro, nem quero desanimar, mas apenas mostrar a verdade: o carnaval acabou. Você pode gostar de blocos, de bailes, mas não dá pra passar pela rua onde compra pão e chegar numa mulher, em plena três da tarde. Porque isto - e não blocos, escolas de samba ou Suzana Vieira na Sapucaí – é que é carnaval.

30 de março de 2011

Novos paradigmas

Entre os homenageados do até então bom programa "Por Toda Minha Vida", da Rede Globo, constam artistas de peso como Cartola e Adoniran Barbosa.

No entanto, foi anunciado que o próximo trará as Frenéticas. Diante dessa mudança de paradigma, deixo aqui, por uma questão de coerência, três sugestões de nomes:

- Trio Los Angeles

- Gêngis Khan

- Harmony Cats

29 de março de 2011

Se você almoçou hoje e gostou do sabor, esqueça.

Se você recebeu elogios do chefe e gostou do reconhecimento, esqueça.

Se você olhou para o céu e sentiu em toda sua plenitude que o mundo é uma maravilha, esqueça também.

Porque só o apocalipse já consolidado, com as nossas almas vagando no espaço com a ilusão de que estamos vivos, explica Rafinha Bastos ser o mais influente do mundo no Twitter.

25 de março de 2011

Barcas, de novo.

Quando um tribunal funciona em regime de plantão, o movimento é mínimo. Mas mesmo assim funciona, pois é serviço público e precisa atender às pessoas.

No entanto, as Barcas não vão funcionar mais à noite, pois o movimento é pequeno e não precisa atender às pessoas. E sim ao governo Cabral...

10 de março de 2011

Viradouro 2011

Na busca incessante por ser uma cidade grande, cosmopolita, moderna, realmente inserida no mapa múndi escolar, Niterói obtém grandes resultados. A Viradouro, por exemplo, conseguiu sair igual a uma escola de samba de São Paulo...

Detalhe da foto: seja por terra, seja por ar ou pela Ponte Rio-Niterói, os arariboienses não desistem de botar as asas - com penas e tudo - de fora...

28 de fevereiro de 2011

A força das massas

"Os verdadeiros tumultos históricos não são aqueles que nos espantam pela grandeza ou violência. As únicas mudanças importantes, aquelas das quais resultam a renovação das civilizações, dão-se nas opiniões, nas concepções e nas crenças (...). 

É com esta citação de "A Psicologia das Massas", indispensável para compreender a natureza irracional dos humanos quando inseridos em grupos coletivos, que registro a grande presença de público - obviamente não pagante - que estava na praia e àtoamente acompanhou o Bloco da Preta...

18 de fevereiro de 2011

Eu sou burguês, mas eu sou sambista - 2011

Eu fico imaginando o trauma de certos artistas globais quando souberam do incêndio da amada Grande Rio. Imagine descobrir que o seu porteiro sempre feliz – mesmo ganhando salário mínimo - está de cama por tifo. Ou aquela catadora de lixo sorridente – apesar de saber que nunca vai ter carteira assinada na vida - se internou com dengue. Ou o simpático flanelinha da esquina - que nunca arranhou o seu carro - teve tétano por conta de um vergalhão de obra. Realmente, a vida desses artistas deve ter mudado.

Foram rios e rios de lágrimas, que inviabilizaram inclusive a visita semanal do personal stylist. Foram noites e noites sem dormir, que resultaram no cancelamento de aparições contratadas em eventos de revistas. Enfim, foi um baque tão grande que trouxe, por segundos, a vontade de estar mais perto da região da Escola, na pitoresca e calorosa Duque de Caxias.

Mas, como é preciso encarar a vida de frente e ver que ela continua, essa vontade passou. E bem rápido, sem dar tempo de chegar sequer na entrada do Rebouças, dando tempo de retornar ao Jardim Botânico, Gávea, Leblon, Ipanema e São Conrado.

E assim, com toda pompa e circunstância, começa mais um carnaval carioca... 

17 de fevereiro de 2011

Apocalipse

"E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens. 

E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles.
E assim vi os cavalos nesta visão; e os que sobre eles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre; e as cabeças dos cavalos eram como cabeças de leões; e de suas bocas saía fogo e fumaça e enxofre.

Por estes três foi morta a terça parte dos homens, isto é pelo fogo, pela fumaça, e pelo enxofre, que saíam das suas bocas.

Porque o poder dos cavalos está na sua boca e nas suas caudas. Porquanto as suas caudas são semelhantes a serpentes, e têm cabeças, e com elas danificam.

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar." 

E foi assim, com um trecho cuidadosamente selecionado do Apocalipse da Bíblia, que tento descrever, sem a intensidade correspondente, o que presenciei por 5 segundos, ao ver Preta Gil e seu bloco no Big Brother...

O peido que cai na conta do gordo

Platão criou o mito da caverna para falar do ser humano. Hanna Arendt usou a cebola para mostrar o que é o mundo. E eu, reles 1/190.000.000 desse banzé caramuru, o que poderia usar para definir o que é o brasileiro? Muito simples: o peido que cai na conta do gordo.
Esse exemplo não veio do nada. Ele começa na infância de cada um de nós, porque todos já viram o gordo da turma levar a culpa por qualquer fedentina que surgisse na sala. Mas eu, num gesto execrável, mais fétido ainda, fiz pior. Explico.

No tempo de faculdade, eu levava mais de meia hora pra chegar lá, num ônibus que ia de Santa Rosa ao Ingá cruzando toda Icaraí. E uma vez, a coisa apertou. Quando não sabia mais o que fazer, vislumbrei mais à frente um gordo, que estava em pé no corredor. Na hora, fui torpe e irresponsável. Levantei do assento, cheguei ao seu lado, esperei uns dois minutos e disparei. Inevitavelmente, todos olharam feio para o pobre obeso. E ele, provavelmente com traumas anteriores, ficou abatido. Um pouco indignado, mas acima de tudo abatido.

Pois o brasileiro é exatamente isso. É um irresponsável e imaturo que não tem coragem de assumir o que deve fazer. Acha que os outros é que devem conduzir o seu destino e consertar seus erros. Como quando joga a culpa de tudo nos políticos que elege. Ou enxerga a máquina estatal como algo separado da população, e não como parte dela. Ou, pior ainda, quando acha que o estado atual deve ser motor da economia da nação, sem saber que a maioria massacrante dos governos - se não todos - são meros fantoches do grande capital. E, rimando, eventualmente dão esmolas pra não ficar mal.

É isso. Um dia, mais novo e menos consciente, eu joguei a conta do peido no gordo. E tenho certeza que, se menos brasileiros fizerem isso, o nosso país vai começar a melhorar de verdade. E de quebra, ouviremos muito menos "Quem, eu?"

4 de fevereiro de 2011

Eleitor de Romário

Essa foi contada no meu trabalho, impossível de não postar.

Num hospital público, cenário perfeito pra locação de filme de guerra, um funcionário chega na fila e pergunta em voz alta: - Por favor, quem aqui votou no Romário? 

Uns 10 levantam a mão. Em seguida, ele diz: - Por favor, vocês aqui, direto pro final...

14 de janeiro de 2011

A mesma merda de sempre

Pra planejar e fiscalizar o espaço público não precisa de empreiteira.

Realizar uma reforma urbana mexe com interesses do mercado imobiliário.

Remover moradores em áreas de risco não dá votos, e tira em época de eleição. 

Será que precisa explicar mais sobre as enchentes, os desabamentos e as decorrentes mortes que acontecem no Brasil, e não em países mais sérios?

9 de janeiro de 2011

O Grande Circo da Educação Brasileira

Primeiro, os jornais publicaram que a cúpula do PSDB se articula para defender o período integral nos primeiro e segundo graus de todo país.

Depois, publicaram que o governo federal quer implantar esse regime no segundo grau, mas há limitações.

Mas, pra variar, não publicaram o principal: que isso não tem nada de novidade, pois Darcy Ribeiro fez há décadas com os CIEPs, quando foi secretário de educação do Estado do Rio. 

Na época, o grande educador, antropólogo e político foi acusado de criar uma escola cara, quando na verdade seu sistema de construção era barato e rápido, criando um ambiente decente para as aulas. Seu projeto educacional é inspirado no que predomina em países como a França, onde a educação dá banho de soda cáustica no brasileiro. As críticas surgiram porque os CIEPs são bons e bonitos, com uma proposta que forma cidadãos. Resumindo, ali pobre era tratado feito gente, e não comprador de promoção de eletrodoméstico. 

Isso foi há quase 30 anos, bem antes desse circo todo ser apresentado como grande novidade. É claro, com a ignorância ou falta de sensibilidade dos jornais.

3 de janeiro de 2011

Pobre menina rica

Aécio Neves e Sérgio Cabral pegando criança pobre no colo. O jogador de futebol Roger beijando o escudo de qualquer time. Esposa ou namorada dizendo que não se importa com a existência de sua ex. Uma nota de três reais.

Tudo isso soa muito mais verdadeiro do que o furor “estou do lado do povo” de Regina Cazé, em seu novo programa dominical. Afinal, se ela gosta tanto assim da patuleia - a ponto de dizer que mora em uma rua metida do Leblon – por que não muda logo pra Vaz Lobo ou Bangu?

Detalhe da imagem: para não ficar mal com seus metidos vizinhos da metida rua do metido Leblon, a nossa legítima representante do povo promoveu um churrascão de coq au vin ao som de Brahms, Chopin e Debussy. E, para a finesse geral da nação tricolor, sem os trocadilhos que seriam feitos com esses nomes pelos seus verdadeiros amigos de Vaz Lobo e Bangu... 

O país Casas Bahia

Em um discurso absolutamente previsível em sua posse, a presidente falou maciçamente sobre os ganhos de renda recentemente obtidos pela população mais pobre. Uma tecla insistentemente batida para definir o que é o tal do “desenvolvimento”, associando-o diretamente ao poder de compra, por mais que fale em educação, saúde ou segurança.

Nessa hora, foi inevitável buscar a Dinamarca como comparação. O que faz esse país ser realmente desenvolvido? Em matéria da revista Época, foi colocado o seu lema nacional, assimilado e cultivado por todos: “Ninguém é melhor do que eu, logo eu não sou melhor do que ninguém.” Traduzindo para a nossa realidade, significa que uma pessoa não precisa de uma tevê LCD ou saber diferenciar os talheres de peixe e carne pra se sentir respeitada pela sociedade. Pela lógica dinamarquesa, cada um vale pelo que é, capitaneado pela conduta moral. E o grande conforto material que todos usufruem é importante sim, mas representa um instrumento para uma boa vida, e não a sua finalidade. Talvez esse seja um dos principais motivos de existir muito menos desigualdade e corrupção nesse exemplo de país.

Você pode encontrar isso em textos de Leonardo Boff, em simpósios sobre sociologia ou nos sermões e palestras das casas religiosas mais esclarecidas. Mas, infelizmente, não achará nos discursos da nossa presidente, que estão mais para textos publicitários das Casas Bahia.

Que Deus nos proteja pelos próximos quatro anos.

29 de dezembro de 2010

Casal

Fernanda Montenegro e Fernando Torres.

Eva Wilma e Carlos Zara.

Paulo Goulart e Nicete Bruno.

Chico Buarque e Marieta Severo.

E hoje, Luciano Huck e Angélica.

Como é fácil ver, fica difícil alguém me convencer de que o mundo não está acabando.

23 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal 2011

Imagine uma pessoa entrando numa festa de aniversário. Ela tem comes e bebes à vontade, além de ser muito animada. Os convidados riem muito, empanturram-se ainda mais e alguns chegam a se exceder no álcool.

Essa pessoa chega e aproveita tudo ao máximo, sem a menor cerimônia. Se enturma rápido, depois conta piadas, abraça os novos amigos e tudo mais. Junto de todos, se esbalda a níveis máximos, quase a ponto de uma festa de faculdade americana, dessas que sempre terminam com uma musa apagada de tanto tomar ponche e um burro no meio da sala. E pasmem, no fim das contas, depois disso tudo, ele simplesmente se esquece de cumprimentar o aniversariante, causa verdadeira da festa. Que falta de educação...

Pois essa festa é o Natal, e o aniversariante, Jesus Cristo. O anfitrião que a maioria massacrante não se lembra em momento algum, perdida entre compras, compras, compras e até parabeniza outro em seu lugar, o Papai Noel.

Essa é a mensagem que deixo esse ano: lembre-se de parabenizar o aniversariante. Foi pra ele que a festa surgiu. E ninguém mais.

Feliz Natal e um 2011 de muitas realizações para todos.

21 de dezembro de 2010

Se sem ocupar cargo algum, Ciro Gomes se comporta como bode solto na rua, imagine tendo novamente um ministério à frente.

14 de dezembro de 2010

Tubaína do tubaína

Confirmado: Celso Roth é o Joel Santana que não sabe contar piada.

11 de dezembro de 2010

A polícia do Rio deveria ser chamada de Clara. De uma hora pra outra, passou de vilã a mocinha.
Se a etapa seguinte vai ser como na novela, vamos ver...